Transtorno Alimentar: 3 Sinais de Alerta e Como Buscar Ajuda
- Patricia Aquino
- 8 de set. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de mar.
A alimentação desordenada é tão normalizada no mundo atual, impregnado na cultura alimentar, que pode ser difícil identificá-la, até em você mesmo. Sinais de alerta bem conhecidos, como pular refeições regularmente ou monitorar obsessivamente a ingestão de alimentos e comer muito foram renomeados como sinais de saúde.
Mas, como muitos de vocês que estão lendo este texto provavelmente sabem muito bem, a linha entre priorizar uma alimentação “saudável” e desenvolver hábitos seriamente perturbadores é tênue – e muitas pessoas acabam cruzando os limites.
Se você tem uma sensação incômoda de que sua relação com a comida não é saudável, há uma boa chance de você estar certo. Estima-se que 1 em cada 11 pessoas nos EUA desenvolverá um transtorno alimentar completo em algum momento da vida.
Mas apesar de tantas pessoas lutarem contra padrões alimentares destrutivos, procurar ajuda pode ser difícil e confuso.
Como psicóloga especializada em transtornos alimentares, conheci muitas pessoas que sofreram sozinhas durante anos antes de entrar em contato, seja porque pensavam que seus comportamentos “não eram tão ruins” ou porque não tinham ideia de como buscar apoio profissional.
Para ajudar a desmistificar esse processo, abaixo coloquei 3 orientações que você deveria fazer se sua relação com a comida parecer fora de controle.
1. Identifique os sinais de alerta de um transtorno alimentar
Não se culpe!
Faz muito sentido ter uma relação complicada com a comida, porque a nossa sociedade nos condiciona a pensar na comida de uma forma desordenada.
Só porque pode parecer “normal” para você ficar obcecado com o que comeu no café da manhã o dia todo, por exemplo, não significa que você tenha que continuar a viver dessa maneira.
Se você sente que está gastando muito tempo pensando em como você come e como é seu corpo, a ponto de controlar seu dia e causar ansiedade ou frustração, esse é um bom indicador de que é hora de iniciar uma conversa com alguém que você possa confiar.
Alguns outros sinais importantes a serem observados são:
Se você não consegue interagir com os amigos da maneira que deseja por causa da alimentação;
Recusa- se fazer planos porque precisa se exercitar;
Faz exercícios mesmo quando está doente;
Você tem medo de sair para comer;
Quando está frustrado, triste, com tédio recorre à comida para sentir alívio ou prazer;
Come sozinho em grandes quantidades até se sentir estufado.
Se isto está contecendo, é hora de procurar ajuda!

2.Busque uma avaliação profissional para transtorno alimentar
Quer você tenha ou não um transtorno alimentar diagnosticável, é importante procurar alguém especializado nessas condições. Infelizmente, o médico, nutricionista ou psicólogo comum provavelmente não sabe como rastrear ou diagnosticar um transtorno alimentar.
Se você pedir ajuda ao seu médico há uma boa chance de você não receber os cuidados que merece, especialmente se o seu peso for 'normal' ou acima do 'normal', de acordo com os padrões de IMC. (Esta é mais uma razão pela qual o índice de massa corporal (IMC) é uma besteira como medida de saúde, e porque não existe peso “normal” ou “anormal”).
Não é incomum eu receber no meu consultório pacientes que disseram que o médico ignorou ou incentivou sua restrição alimentar, ou que seu psicólogo nunca perguntou sobre sua relação com a comida e seu corpo. Então, busque um profissional que seja especializado em Transtornos Alimentares.

3. Inicie o tratamento com um especialista em transtorno alimentar
Não ter um diagnóstico não muda necessariamente muito quando se trata de procurar ajuda. As especificidades do seu plano de recuperação podem variar dependendo das suas dificuldades individuais, é claro, mas no final das contas, o objetivo é o mesmo: evitar que seus hábitos alimentares atrapalhem sua vida.
É importante você saber que buscar ajuda o mais rápido possível pode impedir que você desenvolva uma condição diagnosticável no futuro. Quanto mais cedo você iniciar a conversa com um profissional sobre seus hábitos alimentares desordenados ou imagem corporal distorcida, maior será a probabilidade de evitar que as consequências se tornem mais graves.
Procurar tratamento precocemente também está associado a melhores chances de recuperação duradoura.
Se você está enfrentando um transtorno alimentar, busque apoio psicológico especializado. O psicólogo irá fazer o devido encaminhamento para outros profissionais, quando necessário.
By Dra. Patrícia Aquino
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